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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Monte Clérigo - Vale Figueira

Caminhada da Praia de Monte Clérigo à Praia de Vale Figueira
Não é fácil caminhar na Costa Vicentina...

Na praia da costa norte
Monte Clérigo chamada
partimos em passo forte
p'ra mais uma caminhada

era um dia soalheiro
corria uma leve brisa
vinda do mar prazenteiro
que quase nos hipnotiza

foi mesmo na hora exacta
estava tudo a florir
até uma rola acrobata
passou por nós a curtir

chegados a um barranco
fui comer qualquer coisinha
duma pedra fiz um banco
para tal quem não alinha?

Na praia da Arrifana
passámos p'lo areal
uma estrangeira magana
quase nua integral

subimos a muito custo
pela encosta escarpada
se não agarro um arbusto
tinha dado uma guinada

perto, a pedra da agulha
onde de águia imperial
a gente ainda se orgulha
nidificava um casal

morreram sem perceber
o porquê de tanto mal
não mais se voltou a ver
essa ave em Portugal

numa charca alagada
saltam as rãs aos punhados
uma cobra de água nada
e peixes muito enfezados

no vale, em baixo, a aflorar
uma cegonha em bom estado
não das que voam no ar
é engenho abandonado

servia p'ra tirar água
dum poço ou de uma nora
não é sem alguma mágoa
que vos falo nisto agora

mas deixemos a saudade
do que havia antigamente
que a nossa finalidade
era algo diferente

p'ra chegarmos ao final
deste dia de canseira
só faltava atravessar
a praia de Vale Figueira

segui bem determinado
até avistar o monte
com o carro estacionado
na linha do horizonte


MaD

terça-feira, 30 de março de 2010

Ribeira de Odelouca

Caminhada na Ribeira de Odelouca
Na Ribeira de Odelouca também há flores bonitas...

Num Domingo soalheiro
porém um pouco instável
começámos num carreiro
em convivência amigável

p'la Ribeira de Odelouca
na sua margem direita
pensando fazer uma troca
onde ela é mais estreita

mas a água era tanta
que passar pr' ô outro lado
mesmo p'ra quem se agiganta
nem a pé e nem a nado

P'ra ver a profundidade
do caudal que o rio tinha
com alguma habilidade
meti lá uma varinha

escorregou-me uma bota
foi a perna até ao fundo
todos fizeram risota
quase ia pr' ô outro mundo

depois daquela gracinha
passámos por laranjais
pocilgas e boa vinha
e também por animais

eram vacas, eram cães
cabras, perdizes e garças
um casal de alemães
seguiu-se então uma farsa

havia tangerineiras
carregadas de bons frutos
que algumas caminheiras
apanharam em minutos

soou um forte trovão
ameaçando borrasca
corremos p'lo alcatrão
em direcção a uma tasca

não foi preciso entrar
era trovoada seca
persistimos em andar
até ao fim da charneca

voltámos então p'ra casa
mais um passeio acabado
onde a gente extravasa
o 'stress' acumulado

MaD

quinta-feira, 11 de março de 2010

Monchique - Picota - Monchique - 07-03-2010

Caminhada Monchique - Picota - Monchique
Na Ribeira do Ambrósio encontrámos umas cabrinhas...

Nesta Feira dos Enchidos
uma volta fomos dar
pelo Ambrósio metidos
num carreiro singular

Vimos cabras p'lo caminho
e o seu pastor dedicado
assobiando baixinho
levando-as pr'ô outro lado

Seguimos pelo Boião
atravessando a ribeira
subimos em procissão
à Bemposta soalheira

Um dia de chuva incerta
quis o destino malvado
via-se a Vila encoberta
num nevoeiro cerrado

Pelo que fomos embora
sempre subindo, afinal
chegamos em meia hora
ao Poio do Medronhal

E com grande espanto nosso
um sítio, antes, tão belo
um estrangeiro ensosso
transformou num pesadelo

O que já foi uma mata
de medronho e eucaliptal
é uma casa caricata
muro e portão de metal

Sempre em frente é nosso lema
atingimos a Picota
tão bela como um poema
cruzando a nossa rota

Já na descida de volta
p'ra muito nos alegrar
vimos animais à solta
e águias a namorar

Na nossa vila serrana
famintos mas destemidos
fomos comer uma bifana
à tal Feira dos Enchidos

Assim foi o nosso dia
podem mesmo acreditar
cansados mas em folia
voltámos ao nosso lar

MaD

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Caminhadas Aventura

Grupo Caminhadas Aventura
Grupo Caminhadas Aventura

Nasce o sol começa o dia
Da aurora ao pôr do sol
Numa louca correria
Caminhamos sem controle

Todo o santo dia andamos
Em busca não sei do quê
Ao lusco-fusco paramos
Só porque já não se vê

Às costas uma mochila
Na cabeça um abeirão
Assim a gente desfila
Rojando as botas p'lo chão

Óculos escuros na testa
Prevenindo a soalheira
Para todos é uma festa
Faz-se grande barulheira

Com várias léguas no papo
Suando por todo o lado
Roupa feita num farrapo
Respirar acelerado

Chegamos ao fim do dia
Ao almejado destino
Exaustos pela folia
De sorriso cristalino

E se é dos tais sedentários
Com colesterol e tensão
Faça um percurso, há vários
Por entre a vegetação

Verá que rapidamente
Dos males que ainda tem
Duma forma consequente
Deixará de ser refém

MaD